Considerado com um dos maiores navegadores de sempre e tido por muitos como espanhol, Fernão de Magalhães era português e nasceu no Porto, talvez no ano de 1480.  Como todos os exploradores, decerto teria um espírito curioso por natureza, mas o facto de pertencer a uma família nobre terá contribuído para torná-lo num homem empreendedor. Claro que por si só ser nobre não fazia de uma pessoa um explorador, mas no caso de Magalhães revelou-se essencial.

Interpass - Fernão de Magalhães

O pai de Fernão, para além de possuir títulos nobiliárquicos, desempenhou cargos administrativos e jurídicos, concluindo-se  que os seus filhos teriam recebido instrução, coisa que nem todos os nobres tinham. Por outro lado, sendo nobre, Fernão cedo começou a frequentar a corte, pois foi pajem da rainha consorte de D.João II, D. Leonor. Ora, a corte era um lugar cheio novidades, de notícias de todas as partes do mundo e cheio de intrigas – militares, cientistas, pensadores, mercadores, piratas e corsários, espiões, todos frequentavam a corte.

Ao rei D. João II chegavam toda a sorte de propostas para expedições, para projectos e demandas científicas – aliás, a viagem de Vasco da Gama para a Índia foi patrocinada pelo governo deste rei português – e Fernão de Magalhães terá tido acesso à mais variada informação. Não é admirar, pois, que se tenha entusiasmado e alistado na armada que largou para a Índia, em 1505, levando a bordo D.Francisco de Almeida, primeiro Vice-Rei da Índia. E a partir nunca mais largou o mar e as viagens. Esteve em Goa, em Diu, em Cochim, em Moçambique, nas Molucas, em Azamor e muitos outros lugares.

Devido a um incidente em Marrocos, Magalhães é acusado de comércio ilegal e a posição na corte altera-se. Obrigado a afastar-se, o nosso aventureiro dedica-se totalmente a um projecto pioneiro e ambicioso: alcançar as Molucas por ocidente. À época, as Molucas eram alvo da cobiça de portugueses e de espanhóis, devido à produção de especiarias e à posição geo-estratégica, e cada um interpretava o Tratado de Tordesilhas à sua conveniência.  Juntamente com o cosmógrafo Rui Faleiro, Fernão de Magalhães apresenta o projecto ao imperador Carlos V, que aceita imediatamente.

Em Setembro de 1519, Magalhães e uma tripulação de 256 homens, em 5 navios, partem de Sanlúcar de Barrameda rumo à aventura. Hão-de regressar cinco anos depois, apenas 18 sobreviventes comandados por Sebastian del Cano. Pelo caminho, enfrentaram mil perigos, foram vítimas da fome, da sede, do escorbuto e de ataques, mas conseguiram atingir o objectivo, chegar às Molucas, as Ilhas das Especiarias. Fernão de Magalhães morreu na viagem, durante um ataque nas Filipinas, em 1521.  Apesar de pessoalmente não ter cumprido o seu propósito, o seu contributo é inquestionável: alcançou a Terra do Fogo e foi o primeiro a atravessar o estreito que separa o oceano Atlântico do Pacífico – o Estreito de Magalhães –  foi o primeiro navegador a cruzar o oceano Pacífico, nome por ele dado, e planeou e comandou a primeira travessia marítima de circum-navegação.

Interpass - Fernão de Magalhães

Hoje em dia, os lugares que Fernão de Magalhães conheceu permanecem tão exóticos como naquela altura, mas tornaram-se destinos  muito mais acessíveis. Se tem um espírito curioso com este aventureiro, o Interpass Clube trata-lhe da viagem para que parta sem qualquer queixa nem reclamação.